Uma igreja repleta de fieis e flores acolheu a ordenação
episcopal de Dom Roque Costa Souza, no dia 23 de junho, na Catedral de São
Sebastião do Rio de Janeiro. O novo bispo foi considerado um presente para o
bispo ordenante, o arcebispo Dom Orani João Tempesta, que completou 62 anos no
mesmo dia.
“Nós queremos viver essa unidade, que é o lema de Dom Roque
– Fratres in Unum (Sl 132, 1) – para sermos um presente para o Senhor. Temos um
longo caminho a percorrer e é bom caminhar juntos e transmitir com entusiasmo a
nossa fé católica. Por isso dou graças por esse dom que Deus concede a nossa
arquidiocese”, comemorou Dom Orani.
Os coordenantes foram o bispo diocesano de Nova Friburgo
(RJ), Dom Edney Gouvêa Mattoso, e o bispo emérito do Rio, Dom Assis Lopes. Com
a ordenação de Dom Roque, que será o bispo animador do Vicariato Lepoldina, foi
composto o número de bispos auxiliares necessários para o serviço nos setes
vicariatos da arquidiocese.
Dom Roque, que completou 18 anos de sacerdócio no dia 18 de
junho deste ano, agradeceu a Deus por toda a ajuda que recebeu e pelo
aprendizado adquirido nos locais por onde passou, no exercício de seu
ministério. Ele destacou a experiência renovadora durante o retiro espiritual
que antecedeu a ordenação, onde refletiu sobre a regra pastoral de São Gregório
Magno, Papa e Doutor da Igreja.
“O retiro permite mergulhar um pouco mais no mistério do
serviço, e essa regra tornou-se o meu livro de cabeceira. Algumas palavras de
São Gregório provocaram em mim um discernimento mais sério sobre a
responsabilidade dos bispos com as ovelhas do rebanho e também com as que se
encontram fora e devem ser reconduzidas”, ressaltou.
Dom Roque destacou que, segundo São Gregório, a oração é a
chave do discernimento, e que é preciso manter o equilíbrio, ou seja, não se
descuidar da vida interior devido a muitas tarefas, e não se esquecer dos
assuntos externos, por causa de excessos na vida espiritual. “Diante do que eu
sou chamado a realizar na Igreja, rogo a proteção da Virgem Mãe”, pediu.
Entre os presentes, estavam os bispos auxiliares e eméritos
do Rio, os bispos do Regional Leste 1 e membros do Cabido da Catedral, além de
autoridades civis e militares, sacerdotes, diáconos, seminaristas, familiares e
amigos do ordenado. Oficiais e capelães da Polícia Militar também prestigiaram
o novo bispo, que foi capelão da PM.
“A ordenação foi muito emocionante. Dom Roque é uma pessoa
fantástica, um ser humano exemplar, que sempre traz palavras de fé e de paz.
Acredito que esse momento seja um presente de Deus para todos nós”, afirmou o
chefe do Estado Maior Operacional da Polícia Militar, coronel Pinheiro Neto.
O Seminarista Leonardo Giorno destacou que a ordenação de
Dom Roque é um motivo de muita alegria para a Igreja, mas de modo especial para
o Seminário Arquidiocesano de São José, que vê o seu reitor ser ordenado bispo.
“Dom Roque era um padre muito próximo de nós e agora, como
bispo, assume a missão de governar, ensinar e santificar o povo de Deus, com a
alegria do Espírito Santo, que ele recebeu em plenitude na ordenação. Nós,
seminaristas, somos suas ovelhas particulares”, disse.
CORAGEM DE MÃE GERA UM BISPO PARA A IGREJA
“Obrigado, mãe, por dizer sim à minha vida”, afirmou Dom
Roque, no final da celebração, contando o testemunho corajoso de sua mãe, Maria
José Costa Souza, que insistiu para que ele nascesse, mesmo diante das
dificuldades, no ano de 1966. Depois de ter quatro filhos homens, ela estava há
10 anos sem engravidar, quando percebeu que estava grávida de seu quinto filho.
“O sim corajoso dela possibilitou que eu estivesse aqui
hoje, graças a Deus. Queriam interromper a gravidez de minha mãe, porque os
médicos diziam que nós não resistiríamos, mas ela não cedeu a essa intervenção.
Tinha consciência de que carregava um filho em seu ventre e insistiu para levar
a gravidez adiante”, afirmou Dom Roque.
Ele acredita que é preciso dar esse testemunho, pois o sim
de sua mãe trouxe ao mundo um bispo. “Precisamos escutar as vozes das mulheres
que clamam por condições de ter seus filhos”, afirmou Dom Roque.
O novo bispo destacou que todos, mesmo as pessoas com
algumas deficiências, como as crianças anencéfalas, têm direito de nascer.
“Todo ser humano tem direito de vir à luz, mesmo que não viva tanto tempo
quanto gostaríamos que vivesse. Essas crianças inocentes devem ser acolhidas
com toda dignidade”, defendeu.
CLÁUDIA BRITO
FOTO: GUSTAVO DE OLIVEIRA