segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Bispos refletem sobre a dimensão missionária da Igreja


Em 1965, o Concílio Vaticano II sublinhava a vocação mis­sionária da Igreja como parte integrante de sua essência. As palavras conciliares promulga­das no decreto sobre a Atividade Missionária da Igreja Ad gentes continuam atuais e ecoaram na primeira conferência do Curso dos Bispos, no dia 4 de fevereiro, no Rio de Janeiro.
Em sua colocação aos quase cem bispos brasileiros reunidos no Sumaré, o prefeito da Con­gregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, atualizou as afirmações do decreto lançado em meio ao Con­cílio Vaticano II. O documento reafirma a necessidade da Igreja “em recuperar em suas raízes o motivo de existir: a missão”. Para isso, porém é necessário ter bem claro que o centro da atividade missionária é Jesus Cristo.
A conferência também apre­sentou aos bispos reflexões sobre a situação e a teologia da missão Ad gentes depois do Concílio Vaticano II, a mudança paradig­mática na teologia e práxis da missão depois dos documentos conciliares e os fundamentos teológicos da missão Ad gentes. Outros pontos também foram levantados, como missionarie­dade e eclesiologia de comunhão, os processos formativos para a missão e a missão em um mundo multirreligioso e multicultural.
Por fim, o Cardeal Filoni falou sobre as perspectivas que se abrem a partir destas observa­ções. “Aconteceu uma mudança paradigmática no mundo e na Igreja. A cultura se tornou um elemento decisivo para a missão do futuro. Ao mesmo tempo, também a promoção humana, o diálogo e o serviço são elementos importantes para a missão Ad gentes. São aspectos que a missão de fato deve ser presente. Sem jamais esquecer que a missão não tem sentido sem Jesus Cristo e sem a Igreja, seu corpo visível no espaço e no tempo da história. É necessário conciliar o pluralismo das culturas e das expressões de fé com a unidade da fé. Este é o trabalho da enculturação da mensagem evangélica”, afirmou em sua conferência.
O bispo da Diocese de Jataí (GO), Dom José Luiz Majella Delgado, reafirmou as colocações do conferencista sobre o diálogo para a missão e a centralidade de Cristo. “Qualquer missão da Igreja é a partir de Jesus Cristo. A missão deve nos levar a ver o rosto de Jesus Cristo, a ter um encontro com Jesus Cristo e a testemunhar Jesus Cristo. Essa é a razão de ser da missão da Igreja”, destacou.
Já o bispo da Diocese de Bauru (SP), Dom Caetano Ferrari, cha­mou a atenção para a atualidade das palavras dos documentos do Concílio Vaticano II, que com­pleta 50 anos. “Essa é a mesma convocação que a Igreja nos fez no Documento de Aparecida: de sermos missionários que saem de casa e vão ao encontro das pesso­as onde elas estão, sobretudo nos lugares afastados, nos lugares de fronteira, não só geográfica, mas onde estão os pobres, os injus­tiçados, os drogados. É lá que nós devemos ir como discípulos missionários”, recordou Dom Caetano.
FABÍOLA GOULART
fabiolagoulart@testemunhodefe.com.br
IGOR MARQUES
igor@testemunhodefe.com.br

Fotos: Gustavo de Oliveira