segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Caridade é a carteira de identidade do cristão no mundo

“A fé sem obras é morta”, já nos diz São Paulo. Assim tam­bém como as ações sem o dom da fé não têm sentido. Os atos de caridade são típicos de quem teve uma experiência com Deus e não consegue mais olhar só para si. O Papa Francisco tem dado constantes exemplos de amor de Deus, que transborda através de seu olhar atento e suas mãos cuidadosas. Neste mesmo espírito, a Arquidiocese do Rio de Janeiro celebrará em 2014 o Ano da Caridade, que terá início no dia do padroeiro São Sebastião, 20 de janeiro.
“A caridade é a carteira de identidade do cristão no mundo. É um aspecto intrínseco à própria fé. Não podemos dizer que existe fé sem caridade. O dom da fé nos impele a realizar a obra de caridade”, explicou Dom Pedro, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, responsável pelas pastorais sociais da arquidiocese. Impulsionados pelo amor de Deus, os cristãos vão ao encontro do Cristo pobre, sofredor nos irmãos mais necessitados e exclu­ídos, de acordo com ele.
Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempes­ta, a cada ano a Igreja celebra um tema específico. Em 2013, “Juven­tude” foi o tema eleito. O Ano da Caridade em 2014 trará um olhar específico para a questão social. “O Ano da Caridade vai mostrar as preocupações da Igreja sobre o tema. Uma vez que tivemos um encontro com Jesus Cristo em uma caminhada como cristãos, tam­bém somos chamados a trabalhar para que essa sociedade seja mais justa, mais humana, mais fraterna. E para que nossas entidades que trabalham com isso possam ser incentivadas, apoiadas, mais dina­mizadas a seguir adiante”.
É própria do cristão a cari­dade, segundo Dom Pedro. Ele destacou que a obra de caridade faz com que a fé saia do campo subjetivista, individualista. No entanto, a caridade perfeita é apenas o amor de Deus. “Nin­guém pode realizar a caridade porque ela é o ágape, o amor de Deus. Distingue-nos das obras de filantropia, que nascem mui­tas vezes do próprio sentimen­to humano”, destacou. Para os católicos, o desejo de ajudar os outros nasce de uma inquietação de Deus.
No Rio de Janeiro, a Cáritas Arquidiocesa, as pastorais sociais e o Banco da Providência são res­ponsáveis pelas ações sociais da arquidiocese. “Sentimos orgulho de pertencer a esta Igreja, que nunca priva o amor de Deus aos mais excluídos”, ressaltou Dom Pedro.
“A Igreja vai tentando ao longo da história realizar o que é o man­dato de Jesus. Uma experiência profunda de amor leva à atuação com os pobres, marginalizados, presos, a partir das múltiplas pas­torais e atividades”, explicou o cô­nego Manuel Manangão, vigário episcopal para a Caridade Social.

AMOR DA TRINDADE
Para a Igreja Católica, a ca­ridade é uma manifestação do amor da Trindade. De acordo com o Papa emérito Bento XVI na encíclica “Deus Caritas Est”, é o Espírito Santo que forma o coração da comunidade eclesial para testemunhar o amor do Pai. “Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se poderia mesmo deixar a outros, mas per­tence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência”, destacou Bento XVI.
Além disso, toda a atividade da Igreja é manifestação de um amor que procura o bem integral do homem. “É amor o serviço que a Igreja exerce para acorrer cons­tantemente aos sofrimentos e às necessidades, mesmo materiais, dos homens”, explicou o Papa Emérito.
A caridade não pode aparecer sozinha e nem se configurar por si mesma, de acordo com o Papa Francisco. Em sua encíclica “Lu­men Fidei”, o Santo Padre explica que o Espírito Santo é que ilumina o caminho do futuro. A fé precisa estar unida à esperança e à carida­de para projetar-nos para um futu­ro certo e nos colocar próximos ao homem que sofre. “O dinamismo de fé, esperança e caridade faz-nos abraçar as preocupações de todos os homens”, de acordo com o Santo Padre na encíclica.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus”.

TERESA FERNANDES