domingo, 1 de dezembro de 2013

“Rio de Fé” estimula a cultura do encontro - segunda parte

ENCONTRO E DIÁLOGO
O Papa Francisco é um gran­de entusiasta da cultura do en­contro e do diálogo. Durante a JMJ, ele destacou que “permane­cer” com Cristo não é se isolar, mas ir ao encontro dos demais. O tema também é recorrente em seu pontificado. O Santo Padre pede insistentemente que a cultura da confrontação seja substituída pelo encontro para que o anúncio do Evangelho seja eficaz.
“O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana”, des­tacou o Papa. De acordo com o Santo Padre, é preciso esquecer a presunção de tentar impor as “nossas verdades”. “Fomos cha­mados por Deus, chamados para anunciar o Evangelho e promo­ver corajosamente a cultura do encontro”, disse durante a missa com sacerdotes, religiosos e se­minaristas na Catedral de São Sebastião, n o d ia 2 7 d e j ulho, durante a JMJ.
“O que Jesus nos ensina é primeiro encontrar-nos, e no encontro, ajudar. Precisamos sa­ber encontrar-nos. Precisamos edificar, criar, construir uma cultura do encontro”, ressaltou o Papa em vídeo-mensagem para os fiéis reunidos no Santuário de São Cayetano em Buenos Aires, no dia 7 de agosto.
Foram as palavras do Papa os momentos mais importan­tes no documentário, segundo Cacá Diegues. “Ele lançou a palavra de ordem para o mundo em que vivemos: a cultura do encontro!”.
De acordo com Dom Orani, o documentário é uma resposta ao apelo do Pontífice. “O filme dá resposta aos pedidos do Papa Francisco: de ir às periferias existenciais e de trabalhar por uma cultura de diálogo cons­trutivo. Mostra o acolhimento do povo carioca, o engajamento dos voluntários ao receber os milhões de peregrinos, todos de braços abertos, assim como o Cristo Redentor nos inspira”, ressaltou.
EXECUÇÃO DO DOCUMENTÁRIO
Para cobrir toda a Jornada, foram formadas cinco equipes de cerca de três ou quatro membros cada uma. A cada dois dias, de acordo com Cacá Diegues, os diretores se reuniam para ver o que cada um havia filmado e planejar o passo seguinte. Os jovens diretores de cinema responsáveis pela filmagem e en­trevistas foram Gustavo Mello, Cadu Barcellos, Flora Diegues, Cadu Valinoti e Marcos Moura, coordenados por Ana Murgel.
A cobertura foi realizada com base em diferentes focos: os peregrinos, as famílias acolhe­doras, os voluntários de várias origens, testemunhas de outras religiões e a presença do Papa na cidade.
Para a execução do docu­mentário, Cacá Diegues disse ter estado atento ao que via durante a JMJ: “Tínhamos uma agenda do evento, mas não sabíamos o que ia acontecer dentro de cada ação. Era preciso ter sempre os olhos e os ouvidos bem abertos para registrar o que ia acontecendo, sem que pudéssemos adivinhar o quê”, completou.
A escolha dos entrevistados também foi sendo feita à medida que a Jornada acontecia. Alguns personagens mais importantes também foram entrevistados vá­rias vezes. “Aqueles que diziam ou contavam coisas que mere­ciam registro, a gente voltava a eles várias vezes, como persona­gens do filme. Essa escolha foi de Dom Orani, arcebispo do Rio de Janeiro e intelectual muito pre­parado”, disse o diretor. Este foi o caso, por exemplo, do cearense Fábio Mateus Feitosa que pere­grinou a pé até o Rio de Janeiro.
TERESA FERNANDES

COLABORAÇÃO: ANDRÉIA GRIPP

FOTO: DIVULGAÇÃO