sábado, 2 de novembro de 2013

Uma Igreja em constante missão

Foto: Sérgio Mafra
 No começo de outubro, em visita à cidade de Assis, na Itália, o Papa Francisco ressaltou a importância de o cristão sair para ir ao encontro do outro. Segundo ele, a Igreja deve ir às periferias da existência, às situações de vida em que as pessoas hoje estão inseridas.
Como igreja irmã, a Prelazia de Paranatinga, em Mato Grosso, recebe apoio da Arquidiocese do Rio - que envia desde ajuda finan­ceira até o envio de missionários - para desenvolver atividades no local. O município de Campiná­polis, parte da prelazia, conta atu­almente com a presença de dois padres missionários oriundos do Rio: Flávio Matias e Sérgio Mafra. A região possui cerca de 15 mil habitantes, a maioria indígena de etnia Xavante.
Há cerca de dois anos, Sér­gio e Flávio, na época diáconos, foram enviados à prelazia para desenvolver um trabalho pastoral. Pouco tempo depois, em 2012, eles foram ordenados padres e convidados a assumir a Paróquia Senhor Bom Jesus, em Campiná­polis. Padre Sérgio também atuou como assessor do Setor Juventu­de. Tinha como objetivo preparar os jovens para a Jornada Mundial de Juventude Rio2013, e para o Bote Fé, evento que aconteceu na prelazia em julho de 2012.
A Paróquia Senhor Bom Jesus inclui 24 comunidades rurais, sendo que a mais distante está a 140 quilômetros da matriz.
“É um trabalho diferente por­que o povo dessas duas cida­des, tanto de Novo São Joaquim quanto de Campinápolis, vem de Minas Gerais e Goiás, e é muito devoto, principalmente de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e do Divino Pai Eterno. Ao mesmo tempo, é um povo que ainda não foi totalmente evangelizado, por­que são muitas as comunidades rurais, distantes uma da outra, o que dificulta o total atendimento ao povo de Deus”, explicou padre Sérgio.
Em algumas comunidades, segundo ele, há capelas ou igrejas já construídas; em outras, não. O meio de conseguir subsídios para a manutenção ou construção de­las é realizar festas do padroeiro, com leilões de gado e prendas. Mesmo assim, alguns grupa­mentos não conseguem ter uma estrutura mínima. Nesses, a missa é realizada nas casas, dentro de ranchos ou currais e até debaixo de árvores.
Mesmo com as dificulda­des existentes, ele se diz muito satisfeito com os resultados do trabalho que a Arquidiocese do Rio ajuda a desenvolver no local.
“A presença da Arquidiocese do Rio de Janeiro em Mato Gros­so é o testemunho de uma Igreja que está em constante missão e tem sede de levar Jesus Cristo a quem precisa, que vai às periferias existenciais”, afirmou ele. “E ir às periferias é um apelo que o Papa Francisco tem feito aos sacerdo­tes”, completou.

SEMINÁRIO EM MISSÃO
Em meados de 2009, a pri­meira turma de jovens do Se­minário Arquidiocesano São José foi convidada a integrar a missão, que já estava em curso pelos leigos da Arquidiocese do Rio, na prelazia. Eles visitavam as casas anunciando o Evangelho à população. Fizeram uma semana de missão contínua e, no final, realizaram um encontro para os jovens.
“Foi uma experiência muito nova para mim, essa de conhecer a realidade do local. A gente pro­curava escutar muito, e eles eram muito receptivos. Foi uma par­tilha muito interessante porque cada um colocava o seu próprio testemunho, e um ia edificando o outro”, afirmou Adam Lopes, de 22 anos, que em 2009 inte­grava o grupo do seminário. “Esse período foi bom para o meu cres­cimento espiritual porque pude ver outras pessoas, que apesar de terem um pouco mais de dificul­dade do que eu, se mantêm firmes na fé”, apontou ele.

Foto: Bernadete Felippe
LEIGOS EM MISSÃO
Maria Bernadete Felippe, membro da Comunidade Bom Pastor, desde 2008, participa da Ação Missionária Arquidiocesana, que anualmente visita a Prelazia de Paranatinga. Em 2012, esteve em missão por lá durante um mês. Organizou, com outros missionários, a recitação do terço, que acontece semanalmente, nas capelas Sagrado Coração de Jesus e São José. E deu início a um projeto de resgate da autoestima de idosos que vivem no abrigo da cidade, por meio de terapia ocupacional.
O projeto existe até hoje e, após plantar a semente, Berna­dete continua a acompanhar, mesmo à distância, o andamento do trabalho. Ela acredita que, em cada local visitado, deve-se deixar a marca da missão.
“Falar sobre a importância da família, da Eucaristia, rezar o San­to Terço, estar ao lado de alguém com dor, e levar a Palavra de Deus e a experiência da fé a todos os cantos, são a maior preocupação e responsabilidade da minha alma missionária”, afirmou.
NATHALIA CARDOSO
nathalia@testemunhodefe.com.br