sexta-feira, 22 de novembro de 2013

“O direito à moradia é sagrado”



Os moradores da Vila Autó­dromo receberam o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, que na manhã do dia 10 de novem­bro, um domingo, presidiu missa campal na comunidade.
A Eucaristia foi concelebrada pelo coordenador da Pastoral das Favelas, monsenhor Luiz Antônio Pereira, pelo pároco local, padre Fábio de Freitas Guimarães, e pelo padre Roberto Barbosa de Melo.
A visita do arcebispo trouxe alento aos moradores, que atual­mente vivem um processo de ne­gociação com a Prefeitura do Rio, que está gerenciando um plano de remoção de 278 famílias.
“O contexto que a comuni­dade vive é o mesmo de todas as favelas do Rio de Janeiro. Com o avanço e a modernização da ci­dade, esses locais sofrem. É uma luta constante porque, como diz o Papa Francisco: ‘temos que fazer o papel de advogado dos pobres, defendendo-os ao acesso às leis e ao Estado’. E esta missa quer representar isso: o apoio da Igreja às lutas justas, pelo direito à moradia, que é um direito sa­grado”, pontuou o monsenhor.
Padre Fábio complementou: “Essa missa campal representa o sinal da máxima unidade da Igreja pela defesa da dignidade humana. A Eucaristia é sinal de unidade, de comunhão. Estamos unidos por uma oração comum de agradecimento diante de tudo o que Deus tem feito por nós”.

COMPROMISSO COM A JUSTIÇA E A PAZ
Em sua homilia, ao refletir so­bre as leituras do dia, Dom Orani falou sobre a consciência que o cristão deve ter de que a vida eterna é construída a cada dia.
Segundo o arcebispo, a cami­nhada para a eternidade não tira do cristão a sua responsabilidade atual. “Pelo contrário, nos dá ainda muito mais responsabili­dade. Somos chamados a viver de maneira coerente, em busca da fraternidade, da justiça e da paz. Quem não acredita muito em Deus é que pouco se importa com os outros”, pontuou.
Por isso, afirmou, é impor­tante que a comunidade eclesial se fortaleça na Vila Autódromo. “Que as pessoas participem mais, que haja mais lideranças em todos os aspectos e trabalhos.”
Durante o ofertório, mora­dores levaram objetos que sim­bolizam a luta da comunidade por uma vida digna, entre eles, a réplica de uma casa (foto).
ANDRÉIA GRIPP

andreiagripp@testemunhodefe.com.br

Fotos: Carlos Moioli