quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Novena de Natal

“A bondade de Deus veio ficar entre nós”
Durante o Advento, tempo de se preparar para as celebrações natalinas, muitos fiéis organi­zam e participam da Novena de Natal em Família. São realidades heterogêneas, variadas faixas etárias, diferentes classes sociais, todos mobilizados para gestar o nascimento de Jesus.
Na Arquidiocese do Rio, a Novena de Natal já é esperada pelos fiéis das diversas comuni­dades paroquiais, que organizam grupos nas casas, nas famílias e até mesmo nos trabalhos.
Neste ano, a temática cen­tral dos encontros da novena é a caridade. Isto porque em 2014 será o Ano da Caridade na Arquidiocese do Rio. O tema “A bondade de Deus veio ficar entre nós”, foi tirado da Epístola a Tito 3,4. Os roteiros já estão disponí­veis e podem ser adquiridos nas paróquias.
Em entrevista ao jornal “Testemunho de Fé”, o coorde­nador arquidiocesano de Pas­toral, monsenhor Joel Portella Amado, falou sobre a prepara­ção dos encontros, a escolha do tema e a importância de valorizar este ato.

Testemunho de Fé (TF) – Como foi a preparação da No­vena de Natal deste ano?
Monsenhor Joel Portella Ama­do – Seguimos o mesmo pro­cesso que, há anos, vem sendo observado no Rio de Janeiro. Buscamos a temática em tor­no da qual a arquidiocese está vivendo ou vai viver no ano seguinte. Procuramos interli­gar esta temática com o Natal, dando destaque para o presé­pio e seus personagens. Cada encontro tem momentos de acolhida da Palavra de Deus, ao estilo da leitura orante, mo­mentos de partilha ou conversa e muitos momentos de oração. Os livretos da novena poderão ser adquiridos nas paróquias.
TF – Qual a importância das pessoas organizarem grupos para fazer a novena? Como mobilizar as famílias?
Monsenhor Joel – A novena, por tradição, é essencialmen­te missionária. Ela é um jeito muito concreto de se vivenciar o que hoje se chama de rede de comunidades. Cada pequeno grupo se torna uma dessas pe­quenas comunidades. Ali se vive a fraternidade, a ajuda mútua, a prática da caridade. Na medida em que estes grupos envolvem outras pessoas, que não as que habitualmente participam da vida da paróquia, a missionarie­dade começa a acontecer.
Atualmente, precisamos investir na reunião familiar. Em 2014, teremos um Sínodo sobre a família. Por isso, é importante que as famílias se encontrem também para a novena. Há alguns anos, a novena tem sido feita também por vizinhos, por grupos de moradores de uma mesma região e até mesmo por colegas de trabalho. O maior de todos os desafios é reunir as pessoas.
TF – Como se desenvolverá a temática deste ano?
Monsenhor Joel – Com base no convite de Aparecida para sermos uma Igreja samaritana, a novena deste ano convida a meditar no presépio e nos acontecimentos em torno do Natal a ótica da caridade. A novena começa lembrando que o povo aguardava o Messias. E ainda convida a perceber que, também hoje, ainda que de modo diferente, as pessoas esperam o Messias. É verdade que o Messias já veio, mas para um grande número de pessoas, Jesus é um desconhecido ou deixou de ter importância. A Igreja deve ser a presença que vai ao encontro, especialmente nas dores, nos sofrimentos. No segundo encontro, seremos convidados a contemplar a Vir­gem Maria como um exemplo de alguém que, mesmo diante de dificuldades, não se fecha em si mesma. O terceiro encontro vai nos apresentar a pessoa de São José, que tinha várias razões, de acordo com a mentalidade daquele tempo, para abandonar Maria e a criança que estava para nascer. Mas, por ser um homem de fé, agiu diferente. Os encontros seguintes obedecem a esta mesma lógica: ver como foi vivenciada a caridade, por exemplo, pelos magos ou pelos pastores, e discernir como fazer o mesmo hoje.
TF – Há algum dia especí­fico para os jovens ou alguma atividade voltada para esse público?
Monsenhor Joel – A novena não tem encontros específicos para idades. Já tentamos algumas vezes fazer encontros específicos para as crianças, pelo menos um encontro, mas ainda não encon­tramos o melhor caminho.
Como o texto da novena procura ser abrangente e como o que dá o tom dos encontros é a conversa, os jovens podem, como se costuma dizer, seguir o livrinho. Os que têm feito assim têm gostado.
A novena motiva bastante para um gesto concreto, mas deixa a cada paróquia ou a cada grupo de novena a escolha do gesto. No caso dos jovens, este gesto concreto costuma ser um elemento bastante motivador.
TF – Qual a relação entre a novena e a confissão que deve ser feita durante o Advento?
Monsenhor Joel – A novena e também a Campanha da Fra­ternidade em Família, durante a Quaresma, são instrumentos para o exame de consciência. No caso da novena deste ano, vai ser difícil não abordar o tema da caridade durante as confissões. Se a novena for vivi­da realmente, já nos primeiros encontros surgirá a pergunta pela prática da caridade. É claro que o termo caridade é muito amplo e cada grupo age de acordo com seu jeito de ser e a realidade local. Ninguém, porém, está isento de praticar o bem, de testemunhar o amor de Deus.
IGOR MARQUES


Foto: Reprodução