quinta-feira, 14 de novembro de 2013

“Justiça e profecia a serviço da vida”

 

A Arquidiocese do Rio sediou, no dia 3 de novembro, o “Trezi­nho das Comunida­des Eclesiais de Base (CEBs)” do Regional Leste 1 da CNBB, encontro de preparação para o 13º Intereclesial, que acontecerá em janeiro de 2014. Com o tema “Justiça e profecia a serviço da vida: CEBs romeiras do Reino no campo e na cidade”, o evento foi realizado no Centro Comunitá­rio Santo Expedito e São Vicente de Paulo, em Sepetiba.
O arcebispo do Rio e pre­sidente do Regional Leste 1 da CNBB, Dom Orani João Tempesta, presidiu a missa de encerramento, que foi conce­lebrada pelo bispo de Valença, Dom Elias James Manning, e pelos sacerdotes presentes. Em sua homilia, destacou que na­quele domingo a Igreja celebra­va a Festa de Todos os Santos, e relacionou a data ao tema do Intereclesial das CEBs.
“Cada um de nós é chamado a viver a santidade tanto na dimensão pessoal como na fa­miliar e social. O tema do Inte­reclesial fala de justiça e profecia a serviço da vida. Ele nos coloca justamente nesse aspecto: de buscar a Deus e trabalharmos de tal maneira que tenhamos os olhos no caminho de santidade, sabendo enxergar os aconteci­mentos atuais à luz do Evange­lho e tendo a coragem profética no meio de tantos enganos vividos na atual sociedade. Nós, enquanto cristãos, temos um primeiro e único compromisso, que é estar com Jesus Cristo. O nosso compromisso é com o Se­nhor. Isto torna diferente nosso modo de ser e de viver o nosso dia a dia, especialmente nos compromete com a luta contra as injustiças e a corrupção na sociedade”, frisou o arcebispo.
Na celebração eucarística, Dom Orani fez o envio das cem pessoas que comporão a delegação do Regional Leste 1 no 13º Intereclesial das CEBs, sendo 17 delas da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

DIFICULDADES E LUTAS COTIDIANAS
Após a abertura feita por Dom Elias, que é animador das CEBs no Regional Leste 1 da CNBB, e acolhida, realizada pelo padre Niraldo Lopes, da Paróquia de Cristo Rei, em Vaz Lobo, foi feito o Ofício Divino das Comunidades, recordando alguns mártires de nossos dias.
Em seguida, as diversas dioceses presentes apresenta­ram suas dificuldades e lutas cotidianas, como o combate ao extermínio de jovens (Diocese de Nova Iguaçu), o tratamento sustentável dos resíduos sólidos (Diocese de Duque de Caxias), a preservação da identidade das comunidades indígenas (Dio­cese de Itaguaí) e quilombola (Diocese de Valença).
Num segundo momento, o teólogo Francisco Orofino enfa­tizou que, apesar de o grito do campo ainda ser uma realidade, o desafio das CEBs hoje é saber dar resposta aos anseios das comunidades urbanas, domi­nadas pelo individualismo, pelo consumismo e pelo acúmulo desenfreado, apresentando uma proposta comunitária, ecológica e de partilha.

PELOS POBRES, COM OS POBRES
Estima-se que no Brasil exis­tam entre 80 mil e 100 mil CEBs, que estruturam-se basicamente em quatro pontos: a fé, os sacra­mentos, a comunhão e a missão.
São comunidades cristãs formadas por pessoas que se reúnem na fé para ouvir e refle­tir a Palavra de Deus, levando estes ensinamentos para a vida cotidiana. As CEBs integram famílias, adultos e jovens numa íntima relação interpessoal na fé.
Enquanto eclesial, é comuni­dade de fé, esperança e caridade, celebra a Palavra de Deus e se nutre da Eucaristia; realiza a Palavra de Deus na vida, através da solidariedade e compromisso com o mandamento novo do Senhor: “amar o próximo como a si mesmo”, e torna presente e atuante a missão eclesial e a co­munhão visível com os legítimos pastores.
É de base, por ser constituída de poucos membros em forma permanente e a ação de célula da grande comunidade.
Pode-se afirmar que a iden­tidade fundamental das CEBs é de serem, particularmente para os pobres, comunidades de “ex­periência de fé”, sendo que tudo o que mais decorre se nutre disso.
Assim, as CEBs são comuni­dades eclesiais que se caracte­rizam – e nisso se distinguem das outras – por dois traços: a participação e o compromisso. Participação nos ministérios eclesiais e nas decisões pastorais e empenho na vida social em nome da fé e do amor evangélico. Isso se coloca dentro do horizon­te maior que é “transformar” as estruturas sociais.
Estes dois elementos estão bem marcados na leitura bíblica feita e promovida pelos inte­grantes das CEBs, que confronta a Palavra de Deus e a vida coti­diana. Por isso afirma-se que a leitura bíblica nas CEBs é uma leitura tanto participada como comprometida.

ANDRÉIA GRIPP
andreiagripp@testemunhodefe.com.br

COLABORAÇÃO: JÉSSICA PINHEIRO E LUIZ CASEMIRO
Ao final da Santa Missa, representantes das CEBs levaram em procissão a imagem
de Nossa Senhora Aparecida

Fotos: Carlos Moioli