terça-feira, 12 de novembro de 2013

Jovens protagonistas da evangelização


Uma juventude que reza, participa e cultiva o desejo de evangelizar. Assim são os jovens católicos que estudam no Colégio Estadual José Leite Lopes, conhecido como Nave (Núcleo avançado em Educação), na Tijuca. Quatro meses antes da Jornada Mundial da Juventude Rio2013, eles passaram a se reunir semanalmente, às quintas-feiras, para um momento de oração e partilha no auditório da escola.
O grupo, constituído em média por 25 participantes, é formado por jovens de diferentes idades, bairros e turmas, variando entre os três anos do ensino médio. É, segundo eles mesmos gostam de definir, uma oportunidade de o jovem protagonizar uma missão própria no anúncio do Evangelho.
Os jovens Alan Gripp e Tâmara Carvalho, que estão cursando o 3º ano do ensino médio, são os fundadores do grupo. Em entrevista ao jornal “Testemunho de Fé”, contam as experiências, os desafios e os planos de evangelização do grupo.

Testemunho de Fé (TF) – Como surgiu a ideia de formar um grupo de oração com os estudantes?
Alan Gripp – Diariamente, nos deparamos com uma juventude plural, formada por várias ideo­logias e conceitos distorcidos de Deus e da Igreja. Precisávamos levar nossa experiência de amor a Deus a todos os outros jovens. Sabíamos que seria difícil, mas sentimos um grande apelo e cha­mado de Deus. O grupo é fruto de uma experiência de amor com o Ressuscitado que passou pela Cruz. O desejo de formar um grupo de oração na escola sem­pre existiu em nossos corações. Não só devido a nossa vontade de evangelizar nos ambientes em que estamos, mas principal­mente pela necessidade extrema de levar Deus aqueles jovens que nunca tiveram a oportunidade de conhecê-Lo ou que ignoram sua existência.
TF – Foi difícil conseguir o es­paço para realizar os encontros?
Tâmara Carvalho – Procuramos fazer tudo de maneira correta, com autorização da direção do colégio. A princípio, foi liberada uma sala no 4°andar. Mas com o passar dos meses mudamos para o auditório, por ser mais perto da área de convivência dos alunos no intervalo. Priorizamos fazer a divulgação entre os amigos, mas também colamos cartazes nas áreas de avisos para os alunos saberem que há um grupo de oração católico na escola.
TF – Como foi a participação destes jovens durante a JMJ?
Alan Gripp – O grupo é muito plural. Alguns são bem engaja­dos em suas paróquias e tiveram grandes experiências na JMJ como voluntários. Eles também participaram de eventos dos atos centrais. Outros ainda não par­ticipam de nenhuma atividade pastoral em sua paróquia e têm apenas o grupo como participa­ção na Igreja. Também temos pessoas que não são católicas, mas participam conosco. O que ficou mais forte da JMJ para eles foram as palavras do Papa: “Jo­vens, sejam protagonistas”. Eles levaram bem a sério essa frase. Partiu deles o desejo de levarem mais jovens ao grupo.
TF – Como é a dinâmica dos encontros?
Tâmara Carvalho – Não temos muito tempo para os encontros. São apenas 20 minutos, porque é o horário do intervalo. Precisa­mos de um horário comum para que todos possam participar. Às vezes acabamos passando um pouquinho do tempo. Sempre começamos os encontros com uma música de fraternidade bem alegre para animar e receber os jovens, pois sempre aparece um e outro novo. Fazemos depois um momento de louvor e oração. E, na maioria das vezes, encerra­mos com intercessão uns pelos outros. Utilizamos um grupo no Facebook para colocarmos as músicas para todos aprende­rem para o próximo encontro, divulgamos alguns eventos e postamos formações. Procura­mos estar bem próximos deles, conversar durante a semana e ajudá-los quando preciso.
TF – Para vocês, qual a im­portância de ter um grupo de oração numa escola da rede pública?
Alan Gripp – Com a ditadura do relativismo que vivemos hoje é necessário haver jovens com princípios cristãos nas escolas. Se for verdade a frase que diz “o fu­turo depende dos jovens de hoje”, que futuro terá o mundo se os jovens não receberem uma boa formação, se não forem apresen­tados a eles os valores cristãos? Se faz necessária a evangelização em todos os lugares. E que lugar melhor para evangelizar jovens do que uma escola?! A escola é um campo de missão. O grupo de oração é mais do que um en­contro, é um espaço para estar com Deus, para fazer amigos, é a chance de testemunhar com a vida a nossa fé.
Muitos dos jovens chegam preocupados, angustiados, ner­vosos com os trabalhos escolares, com o vestibular, com problemas pessoais, e no grupo têm a opor­tunidade de colocar tudo nas mãos de Deus e exercitar a con­fiança e a fé. Ao final do encontro eles se sentem com o coração pacificado. É o que faz muitos voltarem ao grupo: a busca pela paz que vem de Deus.
TF – Quais são os projetos futuros do grupo?
Tâmara Carvalho – Neste mês de novembro teremos a “Terça­-feira plus”, na qual reservaremos mais 20 minutos para uma ofi­cina de Lectio Divina. Teremos também o “Conversa Aberta”, que será um minievento para os jovens da escola com o tema “Ser Jovem”, no qual pretendemos que os alunos se encontrem e descubram o amor de Deus por eles ainda na juventude.
IGOR MARQUES
igor@testemunhodefe.com.br


Foto: Divulgação