sábado, 2 de novembro de 2013

Jovens em missão

De diversas formas os bati­zados podem exercer sua voca­ção missionária. Nesta edição, o Testemunho de Fé entrevistou dois jovens que vivem de forma diferente a sua missionariedade: um deixou a sua cultura para vi­ver em terras distantes e lá fazer o anúncio do Evangelho, outro se tornou um evangelizador em seu cotidiano, na sua própria pa­róquia. Vivenciando diferentes histórias, Cosme Fernandes de Aguiar e Raphael de Oliveira colaboram, a cada dia, para que mais pessoas conheçam a ale­gria de viver em Cristo.

TUDO DEIXAR POR CRISTO
Cosme Fernandes Aguiar, membro da Comunidade de Aliança da Comunidade Cató­lica Shalom há dez anos, esteve em missão na Tunísia de 2009 a 2012. De acordo com ele, foi difícil deixar tudo – família, trabalho e estudos – para seguir esse convite missionário.
“Você tem uma estabilida­de de vida e de repente Deus, através da Igreja, te pede para deixar tudo o que conquistou e partir para evangelizart em outra cultura. No primeiro momento parecia algo impos­sível, mas Deus tranquilizou meu coração pela forma como as coisas foram acontecendo durante o processo de envio”, explicou Cosme, que aprendeu a viver o cristianismo num país de maioria muçulmana.
Cosme teve de deixar o cargo de gerente de qualidade numa empresa, a faculdade de enge­nharia e sua mãe, que sofreu um problema de saúde antes de sua partida para a missão junto aos jovens tunisianos.
“Deus me fez entender que, mesmo aqui eu não era a segu­rança da minha mãe, mas que Ele, sim, é. Essa experiêrncia me deu a segurança de que Deus proveria tudo na minha ausên­cia”, contou.

EVANGELIZAÇÃO DOS JOVENS
Ao voltar da Tunísia, Cosme foi morar em Santa Cruz. Por lá, teve a missão de fundar um grupo de oração na capela de São Jorge, no Largo do Bodegão. O pedido foi feito à Comunidade Shalom pelo padre Jorge Bispo, pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição.
Um trabalho de evangeliza­ção com grupos de oração volta­dos para os jovens foi iniciado na capela e outro grupo foi criado há um mês na unidade Santa Cruz da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).
“Hoje o mundo precisa de tes­temunho de uma vivência cristã, de uma juventude que encontra em Deus sua felicidade. Muitos jovens se dizem felizes, mas só encontro jovens verdadeiramen­te felizes por terem encontrado em Deus o sentido de sua vida. Eles se doam e se entregam à evangelização. A mensagem que fica é que não retenham o Cristo, não retenham os dons que Deus dá, mas que se coloquem numa postura de serviço em que o próprio Deus os impulsione ao próximo. E a oração é o grande segredo para alguém que deseja sair em missão. É ela que vai dar a graça de permanecer fiel a essa realidade”, aconselhou.

JUVENTUDE MISSIONÁRIA NAS PARÓQUIAS
Por meio do convite de um insistente amigo, o jovem Ra­phael de Oliveira ingressou no grupo Juventude e Família Missionária, que existe há 27 anos na Paróquia Nossa Senhora do Loreto, na Freguesia. Aos 19 anos de idade, depois de realizar uma missão urbana no próprio bairro e observar a empolgação dos outros jovens, resolveu par­ticipar do grupo. Há dois anos ele está nas missões.
“A gente tem o costume de se reunir mensalmente para formações, com palestras mi­nistradas por nosso diretor espiritual, padre André. As missões acontecem, em geral, um final de semana por mês. Batemos de porta em porta para levar a palavra de Cristo às pessoas. Nós vamos a vários lugares, evangelizamos em todos os cantos”, contou.
O grupo desenvolve diver­sas atividades missionárias. Na Semana Santa, por exemplo, ocorre a Mega Missão, na qual, por quatro dias, os jovens mis­sionários vão para uma região escolhida e lá evangelizam. A última visita aconteceu na Comunidade Nossa Senhora de Fátima, no Alto da Boa Vista, há duas semanas. O objetivo é sempre o mesmo: levar a palavra de Deus a todos, como propõe Jesus.
“A cada missão que faço eu saio renovado, com a minha fé fortalecida”, afirmou Raphael. Para ele, uma forma eficaz de ar­rebanhar jovens para a missão se dá pelo testemunho e exemplo.
“Os jovens precisam de in­centivo, mas também precisam ver o nosso exemplo. Nós jovens temos de ser testemunhas para os outros. Além do convite for­mal que é importante, acho que os demais jovens têm de nos ver como exemplo, como cristãos autênticos.”
BRUNO TORTORELLA

bruno@testemunhodefe.com.br
Foto: Arquivo pessoal