segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cristo Rei

A Solenidade de Cristo Rei foi instaurada pelo Papa Pio XI em 1925, pela Carta Encíclica “Quas Primas”. A princípio ela era celebrada no último domingo de outubro, contudo, depois da reforma litúrgica foi transferida para o último domingo do tempo comum, constituindo o encerramento de todo o ciclo do ano litúrgico. O Papa Pio XI determinou ainda que, nesse dia, fosse renovada a consagração de todo o gênero humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Com esta solenidade, o Papa tinha em vista que não só os cristãos, mas toda a sociedade pudesse perceber a realeza de Cristo e, consequentemente, reconhecer que é sob o estandarte deste rei e de nenhum que a Igreja milita e que, por esse mesmo motivo, a Igreja de Cristo deve gozar de total liberdade em relação às instituições civis, não devendo ser coagida e nem inibida a cumprir seus deveres para com o seu Rei, o Cristo Senhor.


A primeira leitura (2Sm 5,1-3) nos traz a unção de Davi em Hebron. Já em 1Sm 16 a Escritura nos apresenta a unção de Davi feita por Samuel. Deus rejeita Saul porque este não cumpre as suas ordens (cf. 1Sm 15,10-11) e então escolhe Davi para ser rei em seu lugar. Davi é confirmado rei agora diante de todas as tribos de Israel. A palavra do Senhor em 1Sm 16 se realiza neste texto. Davi se tornará o grande rei de Israel e será apresentado pela tradição bíblica do Antigo Testamento como o modelo do rei ideal. Tanto assim, que as expectati­vas messiânicas apontam para um descendente de Davi que há de reinar sobre todo o Israel, trazendo a paz e estabelecendo a justiça.
O Salmo 121, salmo res­ponsorial desta liturgia dominical, é um “sal­mo de subida”, ou seja, um daqueles salmos que eram cantados quando o povo ia ao templo em pe­regrinação. Junto ao templo ficava também o palácio do rei. Este sal­mo recorda isso quando, em pa­ralelo com a ale­gria de estar na casa do Senhor, o salmista recorda que junto a esta casa está a “sede da justiça”, o “trono de Davi”, a casa do rei que, em nome do Senhor – uma vez que é o seu “ungido” – governa o povo.
O Evangelho de Lu­cas nos coloca diante de um tremendo paradoxo. A expectativa messiânica de Israel era a de um grande rei como Davi. Cristo é este rei es­perado, mas que não satisfaz as expectativas de Israel, porque o seu trono é a Cruz. Os soldados e um dos ladrões que estão ao lado de Cristo na Cruz zombam de Cristo, duvidam da sua unção como Rei de Israel. Somente um dos ladrões, identificado pela tradição como Dimas, acredita na realeza de Cristo e lhe suplica para estar com ele em seu reino. Cristo confirma a sua realeza, afirmando que naquele mesmo dia o ladrão haveria de estar com ele no seu reino: o paraíso.
Cristo é, de fato, Rei. Toda­via, não é Rei como os reis deste mundo e nem tampouco o seu reino é daqui. Entre nós e para nossa salvação ele reinou na Cruz, que foi seu trono. Todavia, Ele está vivo e ressus­citado, assentado no seu trono de glória e esperan­do por nós no Seu reino que será também o nosso reino, se nós, de fato, soubermos viver como seus súditos.
Se Cristo, o nos­so Rei, reinou na Cruz, também nós seus discípulos não podemos fugir das cru­zes e dos trabalhos da vida. Devemos caminhar com firmeza no meio das tribulações, sabendo que é sob o estandarte do verdadeiro Rei que militamos na esperança de um dia reinarmos com Ele no paraíso, nossa casa, nosso reino, lugar que Ele preparou para nós.

PADRE FÁBIO SIQUEIRA

VICE-DIRETOR DAS ESCOLAS DE FÉ E CATEQUESE MATER ECCLESIAE E LUZ E VIDA