quinta-feira, 28 de novembro de 2013

75% dos casos de perseguição religiosa são contra cristãos, aponta AIS

Catarina Martins, diretora da AIS.
A perseguição aos cristãos “tomou proporções muito maiores, muito mais sérias e muito mais violentas”, apontou o documento “Perseguidos e esquecidos?” da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apresentado nesta semana. No relatório sobre a liberdade religiosa, a instituição analisou 30 países “em maior detalhe”, entre 2011 e 2013, e concluiu que em 75% dos casos de perseguição religiosa verificados no mundo a vítima foi sempre um cristão.
“Cada vez há mais perseguição, cada vez há mais uma ausência de liberdade religiosa e o que verificamos é que há países onde de fato a situação se tornou quase insustentável”, explicou Catarina Bettencourt, presidente da direção da AIS.
A presidente da AIS destacou o Sudão, a Eritreia, a Nigéria ou a Síria, os chamados países da Primavera Árabe que se transformaram “num verdadeiro inverno árabe, especialmente para os cristãos”.
 “Nós verificamos que em alguns países de África, Médio Oriente e Extremo Oriente, há uma perseguição muito feroz contra a religião, contra todas as pessoas que querem livremente exercer a sua fé”, explica.
Do “relatório sobre a perseguição aos cristãos por causa da sua fé”, destaque ainda para países como Afeganistão, Iraque, Arábia Saudita, China ou Coreia. “É uma lista onde a perseguição tomou proporções muito maiores, muito mais sérias e muito mais violentas”, frisa Catarina Bettencourt.

Abandonar seus países
Os cristãos sentem necessidade de abandonar os seus países, “para salvar a própria vida, para exercer a sua fé” e muitas vezes as pessoas de religiões minoritárias são perseguidas noutros âmbitos como trabalho, educação, saúde, de acordo com o relatório.
Nos países onde há perseguição, a raiz cristã está desaparecendo porque os cristãos estão fugindo. A AIS constatou que no Iraque, em 2003, antes da guerra, havia cerca de um milhão e meio de cristãos, “hoje há cerca de 250 mil”.
“Acaba por ter uma dimensão tão grande na vida e implica tanta coisa que a única solução é de fato sair para ter um trabalho mais digno, para poder dar educação aos filhos: “É de fato uma situação que temos vindo a acompanhar e que o cenário é dramático”, desenvolve a responsável.
Agencia Ecclesia

Foto: AIS