quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Mensagem atual

Da esq. para a dir., Dom Pedro, Rosa Maria,
Dom Orani, Paulo e Geraldo
Encíclica de João XXIII foi aprofundada pela Arquidiocese do Rio

A Carta Encíclica “Pa­cem in Terris”, do beato João XXIII, com meio século de existência, ainda está atual. A constatação foi feita durante o aprofundamento realizado na noite do dia 26 de setembro, na sede da Arquidiocese do Rio.
O encontro foi aberto pelo arcebispo do Rio, mediado pelo bispo auxiliar Dom Pedro Cunha Cruz, que é o referen­cial da Comissão para o Ser­viço da Caridade, da Justiça e da Paz do Regional Leste 1, e contou com a presença dos bispos auxiliares Dom Roque Costa Souza e Dom Karl Josef Romer (emérito).
Dom Pedro afirmou que a encíclica foi criada para envol­ver as relações de convivência humana.
“Essa carta é um olhar da Igreja para a questão da paz. É uma literatura que dá subsí­dios para entender as questões culturais de nossos tempos. A beleza deste documento é a possibilidade de ecoar a mensagem pelo mundo, ven­cendo barreiras e promovendo a dignidade humana”, afirmou o bispo. As palestras foram ministradas pelos professores do Departamento de Teologia da PUC-Rio Geraldo Luiz de Oliveira e Paulo Fernando Andrade, e pela teóloga e his­toriadora Rosa Maria Chaplin Ayter.
No final, aconteceu um debate sobre os aspectos fun­damentais da encíclica, que estabelece as principais dire­trizes para que haja paz entre indivíduos e povos.
PRINCÍPIOS DE PAZ
Na encíclica é tratada a “Ordem entre os seres huma­nos”, definido que “Todo ser humano é pessoa, sujeito de direitos e deveres” e que “antes de mais nada é necessário tra­tar da ordem que deve vigorar entre os homens”.
O documento reflete sobre as “Relações entre os seres humanos e os poderes públi­cos no seio das comunidades políticas”, nas quais é revelado o caráter divino da autoridade concedida aos homens:
“Esta autoridade vem de Deus, como ensina São Paulo: ‘não há poder algum a não ser proveniente de Deus’ (Rm 13, 1-6)’. A esta sentença do apóstolo faz eco a explana­ção de São João Crisóstomo: ‘Que dizes? Todo governante é constituído por Deus? Não, não afirmo isso. Não trato agora de cada governante em particular, mas do governo como tal. Afirmo ser dispo­sição da sabedoria divina que haja autoridade, que alguns governem, outros obedeçam e que não se deixe tudo ao acaso ou à temeridade humana’.”
E continua: “Com efeito, Deus criou os homens sociais por natureza e, já que a socie­dade alguma pode ‘subsistir sem um chefe que, com o mes­mo impulso eficaz, encami­nhe todos para o fim comum, conclui-se que a comunidade humana tem necessidade de uma autoridade que a gover­ne”, e que a autoridade não é força incontrolável, é sim faculdade de mandar segundo a sã razão. A sua capacidade de obrigar deriva, portanto, da ordem moral, a qual tem a Deus como princípio e fim”.

CLAUDIA BRITO DE ALBUQUERQUE E SÁ
claudiabrito@testemunhodefe.com.br

COLABORAÇÃO: IGOR MARQUES
FOTO: GUSTAVO DE OLIVEIRA