quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Em silêncio e devoção, 1,5 milhão de peregrinos revivem a Via-Sacra


Foto: Fábio Santoro / JMJ Rio2013

Silêncio e devoção deram o tom da Via-Sacra, encenada na Avenida Atlântica, em Copaca­bana, na sexta-feira, 26 de julho. Mais de 1,5 milhão de pessoas reviveram o sofrimento de Cristo, junto com o Papa Francisco, que deu início à celebração, pontu­almente, às 18h. O terceiro Ato Central da JMJ fez os peregrinos refletirem o caminho de Jesus até o Calvário, com as “dores” dos jovens na atualidade. Em todas as estações foram lidas passagens bí­blicas e meditações, escritas pelos padres dehonianos Zezinho, SCJ, e Joãozinho, SCJ, que relacionavam assuntos como drogas, violência, redes sociais, namoro, jovens pri­vados de liberdade, entre outros.
“Queridos jovens, viemos hoje acompanhar Jesus no seu cami­nho de dor e de amor, o caminho da Cruz, que é um dos momentos fortes da Jornada Mundial da Ju­ventude”, afirmou o Santo Padre ao dar início a seu discurso.
Francisco afirmou que a Cruz de Jesus revela o amor incondicio­nal por cada um de nós. E que em todas as circunstâncias Ele nos acompanha.

“Confiemos em Jesus, aban­donemo-nos totalmente a Ele! Só em Cristo morto e ressus­citado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida. Não há cruz, pequena ou grande, da nos­sa vida que o Senhor não venha compartilhar conosco”, confortou Francisco.
Foto: Alex Mazullo / JMJ Rio2013
Para o diretor do setor Pré­-Jornada da JMJ Rio2013, padre Jefferson Merighetti, que acom­panhou a Cruz peregrina no percurso da Via-Sacra, os temas abordados e a condução de cada estação, foi uma grande surpresa.
“Foi uma sincronia perfeita entre espiritualidade, pastoral, teologia e doutrina social da Igreja. Tudo envolvido com muita arte, em um tom pro­fundamente cultural. Foi muito especial acompanhar a Cruz neste dia. Penso que fechamos a peregrinação dos símbolos da Jornada naquele momento em nossa cidade. Fiquei muito emo­cionado em diversos momentos”, declarou padre Jefferson.
Dentre as estações mais mar­cantes, a segunda foi um momen­to propício à conversão. Nela , Jesus toma a Cruz nos ombros. Para frei Rodrigo, da Diocese de Santo Amaro (SP),“essa estação falava de conversão, exatamente, no contexto da Jornada, a que o jovem é chamado. Por isso, num cenário de fé é preciso saber que Deus assumiu toda a responsabi­lidade do mundo, assim também como cada jovem, no seu discipu­lado, deve assumi-la.”

Já a quarta estação fez men­ção ao encontro de Jesus com sua mãe. A dor do filho também é a dor da mãe. A meditação abordou a profunda comunhão entre Maria e Jesus, a partir dos olhares que trocaram no cami­nho de Cristo ao Calvário. De acordo com Millagras Rios, do Uruguai, foi possível contem­plar a dor de Jesus, que foi a dor maior que Maria, enquanto mãe, poderia ter.
Foto: Alex Mazullo / JMJ Rio2013
O tema exposto na quinta estação referiu-se aos jovens a caminho do sacerdócio. Aqueles que seguem Cristo como seu Mestre. Alexandra Castanheira, da Diocese de Bauru (SP), afir­mou que foi um incentivo aos jo­vens vocacionados. “A mensagem que eu acredito que eles tenham passado é a juventude, pedindo a Jesus a sua vocação para ser alimento, sabedoria e continuar a segui-Lo e, da melhor forma possível, passar essa mensagem aos demais jovens”, disse ela.
A cantora Elba Ramalho par­ticipou da estação em que Ve­rônica enxuga o rosto de Jesus. Segundo a irmã Patrícia Gomes, filha da Caridade de São Vicente de Paulo, na Arquidiocese de For­taleza (CE), ela apresentou uma igreja que presta assistência aos pobres e necessitados.
“A sexta estação retratou bem os transfigurados de hoje em dia. Os cristãos vêm se solidarizar com as pessoas que têm o rosto manchado pelas diversas pobre­zas. Isso é o que a comunidade cristã faz há muito tempo: a op­ção preferencial pelos pobres que sofrem, mas que têm a igreja para enxugar suas lágrimas”, explicou.