quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Bênção sonhada

Família mineira recebeu bênção do Papa Francisco durante a JMJ Rio2013

Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Após o sonho de um sacerdo­te, uma família decidiu participar da Jornada Mundial da Juventude Rio2013 e teve a graça de ser abençoada pelo Papa Francisco. No dia 22 de julho, na passagem do Papa Francisco pela Avenida Rio Branco, próximo da Avenida Chile, no Centro, o bebê Miguel Coelho, de 7 meses, foi erguido e beijado pelo Papa Francisco (foto da capa do Caderno Especial), conforme aconteceu no sonho do padre Geraldo Lucimar de Paula, conhecido como ‘Cici’, que é pároco da Paróquia de São Sebastião do Pontal, na Diocese de Ituiutaba, em Minas Gerais.
Rodrigo e Juliana Coelho, pais de Miguel, souberam do sonho do padre ‘Cici’ duas semanas antes da Jornada e no início duvidaram.
“Eu e minha família não es­távamos nos preparando para ir ao Rio de Janeiro. Mas, nosso padre insistiu que nós fôssemos contando sobre o sonho que havia tido. No início, nós ficamos em dúvida. Tudo aconteceu como ele havia sonhado. Eu nunca imagi­nei que o Papa Francisco nos veria no meio de tantas pessoas. Justo nós, da pequena São Sebastião do Pontal”, destacou Rodrigo.
Segundo Rodrigo, eles tinham vontade de viver a experiência de uma Jornada, mas sua esposa ficou um pouco receosa em viajar com três crianças pequenas, pelo grande número de pessoas que estariam presentes.
“Então eu disse: ‘vamos, que vai dar tudo certo; estaremos jun­tos com o grupo da Igreja e com o padre’. Eu programei dez dias de férias e fui de carro, porque não havia mais passagens de avião. Eu, minha esposa, as crianças e minha mãe (Bernadete Coelho) viajamos de carro e chegamos no dia 20 de julho”.
Padre Geraldo (‘Cici’)
com Gustavo.
Foto: Carlos Moioli
O grupo da paróquia, com­posto por 38 pessoas, viajou de avião uma semana antes. Os paroquianos ficaram hospedados em casas de amigos em Copaca­bana e no Humaitá.
Conforme contou Rodrigo, no momento em que o Papa pediu para pegar seu filho, e o segurança foi ao seu encontro e tomou a criança de seus braços, eles ficaram em êxtase.
“Para nós, católicos, o Papa é Jesus na Terra. É o grau máximo que podemos ter na hierarquia católica. Foi muito emocionante, uma bênção tremenda, ainda mais porque a gravidez do Miguel foi de alto risco. Minha esposa quase teve dois abortos espontâ­neos. Ele ter nascido foi o nosso maior milagre”, contou.
Rodrigo se disse surpreso porque o Papa passou de costas no local em que eles estavam. “No momento em que o Santo Padre virou em nossa direção, uns dez metros à frente de onde estávamos, ele pediu para o mo­torista do papamóvel parar, para o segurança pegar o Miguel e deu uma bênção para nós de longe. Isso nos arrepiou. Foi muito emocionante. Valeu a pena todo o sacrifício”.
PRESENTE DE DEUS
A bênção extensiva a toda a família alegrou e também sur­preendeu os outros dois filhos do casal: Julia, de 10 anos, e Lucas, de 7 anos.
“Na hora em que o segurança pegou o Miguel do meu colo, mi­nha filha disse: ‘Ele vai devolver, né, pai?’ Então, eu disse: ‘sim, Ju­lia, fica tranquila’. Foi uma alegria para eles também, porque meus filhos fazem catequese e têm consciência de quem é o Papa”.
Para Juliana, o “presente de Deus” veio em um momento mui­to oportuno, por ser na véspera do aniversário de seu marido (23 de julho).
“Foi uma emoção muito gran­de, porque nós não esperávamos. Achei que o sonho do padre não aconteceria, porque seria difícil estar ali no meio da multidão e com três crianças. Quando o Rodrigo se posicionou com o Mi­guel, o padre começou a repetir para mim: ‘vai lá junto’. Peguei a Julia e o Lucas e fui para onde ele estava”.
Para ela, o incentivo e o cari­nho do sacerdote foram funda­mentais.
“O padre é como um grande pai para nós todos. Ele ensina o certo e nos incentiva quando es­tamos em dúvida. Isso tem uma importância muito grande. De­pois que tudo aconteceu, o padre ficou muito feliz e emocionado. Guardaremos esse momento inesquecível no coração, e espe­ramos ir na próxima Jornada na Polônia, para vivenciar outras emoções”, partilhou Juliana.
PAIS: PRIMEIROS CATEQUISTAS
Casados há dez anos, Rodri­go e Juliana são católicos pra­ticantes e servem a Deus como ministros extraordinários da Sagrada Comunhão (mesc’s). Sobre a importância de viven­ciar e transmitir a fé para seus filhos, Rodrigo enfatizou:
“Não existe ninguém me­lhor do que o pai e a mãe para ensinar aos filhos o melhor caminho. Se nós professamos uma fé católica, nada melhor do que mostrarmos, desde cedo, para nossos filhos o que é a nossa religião. O que eu acho mais errado é dizer: ‘quando ele crescer, ele escolhe o que vai querer ser’. Eu cresci com meu pai me mostrando os dogmas da Igreja Católica. À família cabe essa instrução. Os primeiros catequistas dos meus filhos têm que ser eu e a minha esposa”.
Rodrigo afirmou que a ex­periência que viveram durante a Jornada deu um ânimo novo para sua vida e família. “Na mi­nha vida foi tudo transformado, sentimos um novo ânimo, força e vigor. Foi maravilhoso. O im­portante é que essa bênção seja transmitida para cada pessoa que conhecemos, pois preci­samos muito, cada dia mais, ter Deus em nosso coração”, concluiu.
CLÁUDIA BRITO DE ALBUQUERQUE E SÁ
COLABORAÇÃO: IGOR MARQUES