sábado, 3 de agosto de 2013

“A Igreja e o Papa estão com vocês”

Foto: Comunicação JMJ Rio2013
 Alegria, fé e emoção. Três palavras que definem a visi­ta do Papa Francisco para os moradores da Comunidade de Varginha, em Manguinhos, na manhã do dia 25 de julho.
Uma grande festa foi pre­parada. Pelas ruas, cartazes e faixas com a foto do Pontífice davam boas-vindas a ele. A ansiedade crescia na medida em que se aproximava a hora de Francisco chegar.
A moradora Marinete Justi­niano Marques, que há 40 anos reside em Varginha, afirmou que a visita do Papa trouxe esperança a todos. Evangélica, da Igreja Assembleia de Deus, disse estar sentindo uma grande alegria pela presença do Santo Padre. “O que muda em nossas vidas com a visita? O Papa é um enviado de Deus, representante de Deus aqui na Terra. Creio que ele nos traz a paz. Estou numa alegria só; é muito comovente. Eu sou evangélica, mas isso não me impede de estar aqui na rua à espera dele. Afinal eu sou cristã”, frisou.

COM AS SANDÁLIAS DO PESCADOR
Ele chegou, como de costu­me, com a sua simplicidade e afabilidade. Foi acolhido com gritos de “Papa eu te amo”, e re­tribuiu com um olhar carinhoso e um largo sorriso. Padre Márcio Queiroz, pároco local, recebeu o Papa e o conduziu à pequena Igreja de São Jerônimo Emiliani, onde ele fez uma breve oração e abençoou o novo altar.
No pátio externo da Igreja, um grupo de crianças presen­teou o Papa com uma faixa do São Lourenço, time de futebol do Santo Padre. Uma cena inu­sitada encantou ainda mais os moradores: o Papa posou com uma camisa para que um mo­rador pudesse tirar fotografia. Outro morador foi mais ousado, pois escreveu em um cartaz: “Papa, dá-me um abraço”. Ele viu e atendeu ao pedido.

VISITA AOS MORADORES
Foto: Gustavo Kelly
Da capela, o Santo Padre se dirigiu a um pequeno campo de futebol. Percorreu o caminho a pé, abençoando os moradores que o esperavam debaixo de chu­va, alguns, desde a madrugada.
Foi quando aconteceu o momento mais esperado e emo­cionante do encontro entre Francisco e o povo: ele entrou em uma residência, abençoou os presentes, rezou com eles e tirou fotos. Ao manifestar o desejo de visitar uma comuni­dade carente no Rio de Janeiro, o Papa pediu para visitar uma casa, que representaria todas as famílias do Brasil.
Ele seguiu pela Rua Carlos Chagas até chegar ao número 81, e entrou na casa de Manoel José da Penha e Maria Lúcia dos Santos Penha, que há 38 anos residem na comunidade.
Membro do Círculo Bíblico da Capela de São Jerônimo Emiliani, Maria Lúcia contou ao “Testemunho de Fé” o que signi­ficou a visita do Papa Francisco na casa dela:
“Esse é o maior presente que recebi em toda minha vida. Foi o maior presente que Deus me deu no meu aniversário, que foi esse mês. Que nós sejamos pessoas melhores, pais e filhos melhores, que tudo melhore, principalmente nesse mundo violento. Que tenhamos mais esperanças! E a única esperança é Jesus. O Papa representa nosso pastor e nós somos o seu reba­nho. E que nós possamos seguir seu exemplo. Que tudo que o Papa nos deixou crie raízes em nossos corações”.
Após sair da residência, Fran­cisco continuou sua caminhada até o campo. Pelo caminho rece­beu o carinho dos fiéis e retribuiu concedendo bênção aos fiéis, abraçando e beijando as crianças.

FRANCISCO: COMO UM PAI
Uma multidão aguardava o Papa no campo de futebol. A realidade dos moradores da Varginha foi apresentada por Rangler dos Santos Irineu, jun­tamente com sua esposa Joana Alves de Souza Carvalho. Cha­mando o Papa de “pai”, disse: “Este dia histórico marcará as nossas vidas para sempre. Hoje, não é só a comunidade que está acolhendo Vossa Santidade, mas temos a certeza que é Vossa San­tidade que está nos acolhendo de coração aberto, como um pai. Portanto, gostaríamos de pedir a vossa permissão para que­brarmos um pouco o protocolo, assim como Vossa Santidade faz em alguns momentos, e chamá­-lo de Pai, Pai Francisco, aquele que acolhe a todos e, especial­mente, os mais pobres”.
Em seguida, falou dos pro­blemas que afligem a comuni­dade, e afirmou que graças à visita do Papa o poder público realizou benfeitorias no bairro.

CULTURA DA SOLIDARIEDADE
Ao falar à comunidade, o San­to Padre falou que seu desejo era estar com cada um dos moradores e conhecer suas histórias.“Queria bater em cada porta, dizer ‘bom dia’, pedir um copo de água fres­ca, beber um ‘cafezinho’, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós”, disse.
Ainda em seu discurso, o Papa falou que nenhum esforço de pacificação será duradouro se não houver harmonia e felicida­de para um sociedade que exclui os mais necessitados. E destacou aquilo que considera essencial para mudar a situação de aban­dono e pobreza: a solidariedade.
Encerrou o seu discurso, afir­mando que a Igreja está próxima dos moradores. “Hoje a todos vocês quero dizer: vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o Papa está com vocês. Levo cada um no meu coração, e faço minhas as intenções que vocês carregam no seu íntimo: os agradecimentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de con­solação nos momentos de tristeza e sofrimento”.

NUNCA DESANIMEM
Aos jovens, o Papa dirigiu uma palavra de ânimo e moti­vação.
“Também para vocês e para todas as pessoas repito: nun­ca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realida­de pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo”, afirmou o Pontífice.

Leia o discurso do Papa na visita à Comunidade de Varginha: http://bit.ly/12J67Nu

ANDRÉIA GRIPP
COM COMUNICAÇÃO DA JMJ RIO2013 E CANÇÃO NOVA
FOTOS: COMUNICAÇÃO JMJ RIO2013