terça-feira, 9 de julho de 2013

O coração do mundo bate aqui!

O Setor de Atos Culturais da Jornada Mundial da Juventude Rio2013 preparou uma agenda cultural com 1.600 eventos simultâneos: teatro, música, dança, cinema, exposições, itinerário de fé e trilhas. As atividades terão início no dia 23 de julho.
Segundo o cônego Marcos William Bernardo, diretor de Atos Culturais da JMJ, os peregrinos receberão um guia cultural, que é um mapa com todos os atos culturais. As atividades contemplarão tradições culturais de diversos países.
Em entrevista ao sistema de comunicação da Arquidiocese do Rio, o sacerdote contou detalhes da organização dos eventos.

Cônego Marcos William Bernardo, diretor de Atos Culturais da JMJ
Testemunho de Fé – Qual será a amplitude dos Atos Culturais na JMJ?
Cônego Marcos William Ber­nardo – Nossa agenda cultural é bastante vasta, que corresponde ao tamanho da Jornada Mundial da Juventude. A agenda procura proporcionar e satisfazer os jo­vens com elementos da cultura do mundo todo. Ao todo haverá 1.600 atos culturais, que serão apresentados a partir de terça­-feira, 23 de julho, e seguirão toda a semana durante a JMJ. Estamos preparando um mega viradão, como nunca foi visto no Rio de Janeiro. Há várias frentes: música, exposições, cinema, teatro, dança e visitas às igrejas históricas.

TF – Como o peregrino e o morador do Rio poderão par­ticipar?
Cônego Marcos William – A agenda está sendo divulgada primeiramente no sistema de comunicação da Arquidiocese do Rio e no portal oficial da JMJ. Para facilitar a participação dos peregrinos e dos cariocas, preparamos um guia cultural, que é um mapa com todos os atos culturais. O diferencial é que o viradão não será caracte­rizado somente pela presença de artistas brasileiros. Teremos encenação em chinês, músicas em espanhol e em francês. Se­rão ações que normalmente não estamos acostumados a ver. De repente uma interpelação de um grupo no Largo da Carioca, desenvolvendo uma ação cultu­ral: uma fala, uma declamação de uma poesia, coisas do gênero. Mas a grande maioria acon­tecerá em locais fixos, como o Terreirão do Samba, Cristo Re­dentor, Pão de Açúcar, Museu de Belas Artes. Em Niterói, por exemplo, haverá a exposição de Gaudí, por sinal, muito inte­ressante. O coração do mundo verdadeiramente vai bater aqui através da cultura também.

TF – Como foi feita a esco­lha dos atos?
Cônego Marcos William – A escolha foi feita por uma equipe de voluntários, cons­tituída por pessoas oriundas de diferentes países. Tudo que era pertinente à expressão cultural nós submetemos ao Comitê Organizador Local (COL) e ao Vaticano. Coube a nós, com a colaboração da empresa GLP, dar a forma definitiva. Foi difícil. Os cri­térios em questão são a marca da identidade de um povo. Por exemplo, o povo argentino: o que eles têm como carac­terística? O que eles trazem aqui como ação cultural? E se essa ação cultural consegue explicitar essa identidade do povo argentino. Isso, para nós, foi muito importante. Não é questão cultural como um verniz. Pensando no caso do Brasil, por exemplo, em Belém, o carimbó, e no Rio, a realidade do samba. O país estará sendo mostrado aqui de maneira viva através da arte.

TF – Como será a entrada nesses múltiplos locais espa­lhados por toda a cidade?
Cônego Marcos William – Todas as ações culturais são gratuitas. Somente os lugares turísticos: Cristo Redentor e Pão de Açúcar, por exemplo, não terão gratuidade. Para fazer uma visita ao Cristo Re­dentor, você se submete, então, aos critérios próprios da ad­ministração local. Na maioria dos atos, procuramos facilitar a entrada aos locais, tirando o peso do custo. Nosso desejo é promover a acessibilidade, no sentido mais amplo da pala­vra. ‘Eu consegui chegar até a cultura, mesmo não tendo dinheiro no bolso’. Dentro da agenda, haverá também uma contemplação de nossas igrejas históricas, com toda sua rique­za sacra e artística.

TF – O que é o itinerário da fé?
Cônego Marcos William – O projeto “Itinerário da Fé” é uma maravilha! A proposta é circular com os peregrinos pelas igrejas históricas do Rio de Janeiro. Será uma oportu­nidade para conhecer, admirar e até rezar. Isto já é previsto. Entre as igrejas, destaco a Catedral da Antiga Sé, devido ao seu valor histórico para a nossa cultura, ainda que traga consigo elementos que carac­terizam um momento exato histórico que é o Império. Também o Mosteiro de São Bento, uma oportunidade para conhecer a espiritualidade beneditina e a sua histórica presença na cidade do Rio. Uma construção em estilo eminentemente europeu, que consegue passar para os olhos dos brasileiros a sensação do que é o Barroco em sua essên­cia. Teremos a possibilidade de ver os diferentes estilos de arte e também de expressões de fé e os momentos diferentes da história até chegar à Catedral Metropolitana, caracterizada como arte moderna. O itinerá­rio vai ser, na verdade, não só um passeio de peregrinação, mas um curso. Um verdadeiro curso de arte.

CARLOS MOIOLI E NATHALIA CARDOSO
COLABORAÇÃO: MARCYLENE CAPPER
FOTO: DIVULGAÇÃO