quarta-feira, 24 de abril de 2013

Por um novo dinamismo paroquial


Nas diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, uma das cinco urgências apresentadas é “caminhar para uma Igreja, comunidade de co­munidades”. O objetivo é buscar a renovação de toda a vida ecle­sial a partir da paróquia.
Assim, o tema central da 51ª Assembleia Geral da CNBB: “Comunidade de comunidades, uma nova paróquia” foi discutido durante os dez dias em que 361 bispos do Brasil estiveram reuni­dos em Aparecida. Das reflexões nasce um novo documento, que direcionará os planos pastorais de dioceses de todo o país.
O arcebispo do Rio e presiden­te do Regional Leste 1 da CNBB, Dom Orani João Tempesta, con­sidera que o tema, que já está pre­sente no 11º Plano de Pastoral de Conjunto da Arquidiocese do Rio, é importante para que no Brasil cresça a conscientização de que a paróquia é uma presença capilar da Igreja nos diversos setores e ambientes sociais.
“A questão principal é: como fazer isso acontecer na prática? Nós temos, por exemplo, no Rio de Janeiro, os círculos bíblicos, que é um jeito de fazer esse trabalho; as pequenas comu­nidades e muitas capelas, mas precisamos continuar desenvol­vendo isso para poder aumentar o número de capelas, círculos bíblicos, grupos de reflexão, pe­quenas comunidades, para que haja essa rede nas paróquias, que estão diretamente ligadas ao governo da arquidiocese. Então, na verdade, o tema aqui da CNBB confirma aquilo que já estamos fazendo”, afirmou o arcebispo.
Dom Orani também res­saltou que neste contexto não se fala apenas de comunidades geográficas. “Também temos grupos de comunidades que não são geográficas, formadas por interesses em comum, faixa etá­ria, profissão ou escolaridade, como os grupos de comunida­des novas, de jovens, de idosos e universitários, assim como também alguns tipos de ir­mandades. Então, temos vários tipos de grupos que se reúnem para aprofundar e viver a sua fé, e todos devem sentir-se parte de uma comunidade paroquial, embora não seja geograficamen­te daquela parte da paróquia. E esse é o grande ‘X’ da questão. Como fazer que todos estejam unidos? Tanto aqueles que são transterritoriais, como aqueles que são territoriais”, pontuou.
O bispo de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, complemen­tou: “De um modo geral, o do­cumento apresentado sobre o tema central está muito bom, e vai impactar profundamente a Igreja no Brasil. Eu acho que a grande expectativa é colocar na cabeça do clero e dos leigos que trabalham conosco a necessida­de de vivermos pastoralmente unidos para levar ao mundo a novidade que é Jesus Cristo. Antes de nos preocuparmos em levar as pessoas para a Igreja, antes de levar regras e normas, devemos fazer o primeiro anún­cio da pessoa de Jesus Cristo. A Igreja vem em segundo lugar. Primeiro o Cristo. Claro que se levamos Jesus Cristo, a Igreja virá por consequência.”
Durante a reflexão do tema central, também foi muito debatida a questão da acolhida e da necessidade de a Igreja ir ao encontro das pessoas. “In­felizmente nós não sabemos acolher as pessoas, não estamos abraçando as pessoas como elas devem ser abraçadas. Nós precisamos ter a compreensão de que sem acolhida, sem o carinho, sem que as pessoas encontrem seu espaço dentro da Igreja, de nada vai adiantar termos pastorais. Nós preci­samos sair da conservação, ou seja, às vezes nós achamos que tudo está muito lindo, que a Igreja está cheia de gente, que as pastorais estão funcionando, que está tudo maravilhoso. Mas há muitas pessoas que se afastaram da comunidade de fé e outras que não receberam ainda o primeiro anúncio. Então, nós não podemos ficar esperando que elas venham nos procurar. Temos que encontrá­-las em todos os locais”, desta­cou Dom Gregório.

ANDRÉIA GRIPP E IGOR MARQUES
FOTO: HELIO MARTINS / ASSESSORIA DE IMPRENSA DA CNBB