segunda-feira, 11 de março de 2013

Em Rio das Pedras, a Igreja em permanente estado de missão


Quem sobe no último piso da Igreja São João Batista ain­da em construção, em Rio das Pedras, utilizada como local de celebrações, tem a visão de três realidades bem distintas, pano­rama comum na cidade do Rio de Janeiro.
Bem na frente, um morro imponente, perfeição da natu­reza, ao fundo, um complexo de prédios de luxo no bairro vizinho do Barra da Tijuca, um dos mais valorizados da cidade.
No coração dessas frontei­ras, aproximadamente 65 mil pessoas vivem numa realidade marcada por diferenças sociais, e que faz parte do cotidiano do padre Marcos Vinício Miranda Vieira. Mineiro de Juiz de Fora, ele foi empossado como primeiro pároco, por ocasião da criação da paróquia, pelo arcebispo Dom Orani, em 22 de junho de 2011.
“É uma região desafiadora, onde se faz necessária a presença da Igreja. Já podemos contemplar os apelos da evangelização. Prova disso é a participação expressiva de pessoas nas celebrações, nas pastorais e, sobretudo, empe­nhadas na construção da Matriz. Nossa catequese conta com mais de mil crianças inscritas, além de um trabalho promissor com a juventude. Apesar dos desafios, é uma comunidade viva”, esclare­ceu padre Marcos.
COMUNIDADE ARIAL
Além da árdua missão de construir a igreja Matriz e a formação da comunidade pa­roquial, padre Marcos ainda é responsável pela região da comu­nidade Arial Areinha, iniciada na década de 70 numa área de aterro e, por isso, composta por construções irregulares.
Por causa de seus desafios, a comunidade foi contemplada com a Missão Continental. Re­alizada nos dias 2 e 3 de março, mais de 200 missionários estive­ram de casa em casa anunciando a Boa Nova de Jesus.
“Composta por forte presença de origem nordestina, a Missão Continental aqui realizada tem o objetivo de reforçar a presença da Igreja, a fim de resgatar a fé desse povo sofrido, para que pos­sa vivenciá-la em comunidade”, disse o pároco.
Recordando o incentivo do arcebispo de “ir ao encontro das ovelhas”, padre Marcos assegu­rou que a Missão Continental veio em boa hora.
“A missão veio reforçar nosso planejamento paroquial, em consonância com o novo Plano de Pastoral da arquidiocese. Nosso desejo é dar continuidade à missão, na formação de uma equipe permanente de missioná­rios, a fim de facilitar a criação de novos núcleos, para que a Igreja possa estar mais presente junto ao povo”, pontuou.
NOVOS PASSOS
“Apesar da chuva e da greve dos motoristas de ônibus, a mis­são foi um sucesso”, disse o padre Ludendorff Cohen Couto (Lici­nho), que coordena a Dimensão Missionária na arquidiocese e no Regional Leste 1 da CNBB.
A Missão Continental na Pa­róquia São João Batista, revelou padre Licinho, foi marcada por duas características: ação social e a formação de uma equipe missionária paroquial.
“A pedido do pároco, procu­ramos mostrar as pessoas visi­tadas a face amorosa da Igreja. O anúncio foi acompanhado de ações sociais na área de cida­dania, saúde e educação, que a própria paróquia organizou. Foi um momento de despertar o sen­timento de solidariedade nesse tempo de Campanha da Fraterni­dade, mostrando a preocupação da Igreja com a realidade do povo, com suas dificuldades do cotidiano”, disse padre Licinho.
Uma outra novidade, ex­plicou ainda padre Licinho, em atendimento ao pedido do pároco, é a formação de uma equipe missionária paroquial, cuja missão será dar continuida­de ao trabalho de visitas de casa em casa.
“Muitas pessoas, por cansa­ço ou por desculpa, se afastam de Deus. Vejo, com alegria, o trabalho de missão. Muitas pes­soas podem sentir a presença do Senhor e voltar a frequentar a Igreja”, disse a moradora Regiane Souza Rocha.
ATIVIDADES
Vindos de diversas paróquias da arquidiocese, os missionários tiveram, além das visitas de casa em casa, momentos de oração, de adoração e de espiritualidade.
O bispo auxiliar do Rio e ani­mador do Vicariato Jacarepaguá, Dom Paulo Cezar Costa, esteve presente na missão, almoçando com os missionários, realizando visitas nas casas e celebrando o encerramento.
“A missão é vital para a vida e a caminhada da Igreja. Apesar da vivacidade da Igreja, é uma região muito desafiadora em vista da forte densidade populacional. Por isso, há muitas pessoas que não conhecem a realidade do Evan­gelho. O que estamos fazendo de casa em casa é o que o próprio Cristo mandou: ‘anunciar o Evan­gelho a toda a criatura’. Estamos partilhando o que o nosso coração está cheio, com a intenção de que outros possam participar dessa alegria em conhecer e amar Jesus”, disse Dom Paulo.
JUVENTUDE
A missão foi dinamizada com a participação de jovens e ado­lescentes, tanto na organização, como nas visitas de casa em casa.
“Vim aqui motivado pela missão, a convidar as crianças e jovens para participar da Igreja”, disse Vinicius Gomes da Silva, de 9 anos, da Paróquia São Se­bastião, de Olaria.
De acordo com padre Li­cinho, os missionários estão vivenciando o clima da Jornada Mundial da Juventude, também convocados para participar e colaborar no evento.
“Estamos procurando entrar no clima da Jornada Mundial da Juventude. O hino fala que os jovens devem ser missionários, e nós procuramos dar esse enfoque também à missão, convocando a juventude. Estamos convo­cando ainda mais voluntários, na esperança de que o espírito missionário seja um legado da JMJ”, afirmou.
AGENDA
De acordo com o padre Li­cinho, a próxima Missão Con­tinental será nos dias 4 e 5 de maio, na comunidade do Jaca­rezinho. Em agosto, sem data definida, na Cidade de Deus.
Em outubro, haverá forma­ção missionária nos primeiros três finais de semana, em cada vicariato, e no quarto final de semana, uma ação missionária no Morro da Providência.

CARLOS MOIOLI
FOTOS: CARLOS MOIOLI