quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Testemunho de liberdade espiritual


“Acolhi o anúncio de re­núncia do Papa com uma grandíssima admiração pela grande coragem, liberdade de espírito e pela grande cons­ciência da responsabilidade pelo seu ministério. Bento XVI ofereceu-nos um grande testemunho de liberdade espiritual, de uma grande consciência dos problemas do governo da Igreja no mundo”, afirmou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, em coletiva concedida aos jornalistas, na segunda-feira, dia 11 de fevereiro, durante a qual ofe­receu algumas informações acerca da renúncia anunciada pelo Santo Padre.
“O Papa diz ter repetida­mente examinado a sua consciência  diante de Deus. Eis, portanto, uma decisão pessoal, profunda, tomada em clima de oração diante do Senhor, do qual recebeu a missão que está realizando. E chegou à certeza de que as suas forças, devido à idade avançada, já não são mais apropriadas para exercer o ministério petrino de modo adequado. Esse é o motivo fundamental da decisão”, res­saltou o sacerdote, recordando a declaração do Pontífice.
Outro dado importante na declaração do Papa para o padre Lombardi é a frase: “Bem consciente deste ato, com plena liberdade, declaro renunciar ao ministério de bispo de Roma, sucessor de São Pedro”.
“Esta é a declaração formal do ponto de vista jurídico importante. No Código de Direito Canônico, cânon 332, parágrafo 2, lê-se: ‘Se aconte­cer que o Romano Pontífice renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por alguém.’ Por tanto, os dois pontos fundamentais são a liberdade e a devida mani­festação. Liberdade e mani­festação pública, como é de fato o consistório público, ao qual o Papa manifestou a sua vontade”, explicou.

CALENDÁRIO DE BENTO XVI ESTÁ CONFIRMADO
No dia seguinte, 12 de feve­reiro, em outra coletiva, padre Lombardi afirmou: “O Papa está bem e muito sereno, não renun­ciou porque está doente, mas so­mente por conta da fragilidade decorrente do envelhecimento”.
Segundo o diretor da Sala de Imprensa, Bento XVI foi recentemente submetido a uma intervenção de rotina para a substituição da bateria do marca-passo, mas isso não teve peso em sua decisão.
Padre Lombardi conf ir­mou todo o calendário de atividades do Papa até o dia 28 de fevereiro, último dia do pontificado de Bento XVI, que preveem encontros com os bispos italianos em visita Ad Limina, com os presidentes da Romênia e da Guatemala, os ângelus e as audiências gerais, a última destas, dia 27 de fe­vereiro, deverá realizar-se na Praça de São Pedro, que tem a previsão de um considerável af luxo de fiéis. Não haverá a encíclica sobre a fé.
O sacerdote explicou tam­bém que a viagem ao México e a Cuba constituiu para Bento XVI, por causa do cansaço, uma etapa de amadurecimento em relação à renúncia ao ministério, mas não uma decisão definitiva nesse sentido.
Em seguida, padre Lombardi ressaltou que não haverá nenhum problema para o sucessor de Ben­to XVI por causa da presença, no Vaticano, de outro Papa, embora como bispo emérito de Roma.
“Conhecemos Bento XVI como uma pessoa de discrição e rigor extremos. Não é uma pessoa da qual se possa espe­rar interferências ou mesmo o mínimo incômodo para o seu sucessor. O problema não existe, embora seja uma situ­ação nova. Aliás, o sucessor se sentirá apoiado pela oração, pelo amor e pela participação de uma pessoa que mais do que ninguém no mundo pode entender as preocupações de quem veio depois”, afirmou padre Lombardi.

FONTE: RÁDIO VATICANO