segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Por amor à Igreja, Papa Bento XVI renuncia ao pontificado


O dia 11 de fevereiro marca uma importante etapa na história da Igreja Católica. O Papa Bento XVI anunciou, na sala do consistório do Palácio Apostólico, no Vaticano, com coragem e por amor à Igreja, a decisão de renunciar ao pontificado, em 28 de fevereiro. Segundo o Vaticano, a eleição do novo Papa será em março.
O anúncio foi feito durante o consistório ordinário público, no final da celebração da Hora Média e após o anúncio de que, no dia 12 de maio próximo, se realizarão as canonizações dos beatos Antonio Primaldo e Companheiros, Laura de Santa Catarina de Siena Montoya y Upegui e Maria Guadalupe Garcia Zavala. Para este consistório foram convocados – por isto se chama ‘público’ – todos os cardeais que estão em Roma e os de outras localidades que possam participar. Por esse motivo havia um grande número de cardeais no momento do anúncio.
Bento XVI não é o primeiro Papa a renunciar na história da Igreja. Segundo Richard McBrien, no livro “Os Papas”, foram seis os pontífices que renunciaram ao posto: Ponciano (235); Silvério (537); João XVIII (1009); Bento IX (1045); Celestino V (1294) e Gregório XII (1415). Entretanto, por ser o primeiro da era moderna a renunciar, sua decisão deixou surpresa toda a Igreja e o mundo. Fiel à sua consciência, ele colocou em prática o que afirmou ao jornalista Peter Seewald, numa entrevista que virou o livro “Luz do Mundo”: “Quando um Papa chega a uma clara consciência de não ser capaz fisicamente, psicologicamente e mentalmente para realizar a tarefa que lhe foi confiada, em seguida, tem o direito e, em algumas circunstâncias, o dever de renunciar.”
Ele leu o texto em latim da “Declaratio”, escrita com o seu próprio punho. Falando com voz firme e serena, explicou os motivos da sua decisão, tomada “com plena liberdade” e “depois de ter reiteradamente examinado a minha consciência diante de Deus”.

 EIS AS PALAVRAS COM QUE BENTO XVI ANUNCIOU A SUA DECISÃO:
“Caríssimos irmãos, convo­quei-vos para este consistório não só por causa das três ca­nonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequa­damente o ministério petri­no. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas tam­bém e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mu­danças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário tam­bém o vigor quer do corpo quer do espírito. Vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapa­cidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renun­cio ao ministério de bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado pelas mãos dos cardeais em 19 de abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos irmãos, ver­dadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu mi­nistério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Ago­ra, confiemos à Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua mãe santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os padres cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeada­mente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, à Santa Igreja de Deus.”


 ANDRÉIA GRIPP
FONTE: RÁDIO VATICANO
FOTO: ARQUIVO