quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Sinal verde para a Pastoral do Menor


Os números da Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio impressionam. São 24 polos espalhados por 104 comunidades, que, só este ano, deram conta de 10.174 atendimentos. Para 2013, o plano é ampliar ainda mais a abrangência das atividades. Além da já existente unidade móvel de saúde, a Pastoral adquiriu um ônibus informatizado para promover a inclusão digital  dos meninos de rua.
“Esse ônibus poderá rodar, sem ser uma coisa institucional e fixa, e caminhar como a própria missão da Igreja, que é ir ao encontro”, explicou Maria Christina Sá, conselheira da Pastoral, que falou sobre a extensão do serviço: “Nosso trabalho não é chegar só aos meninos de rua. Ninguém é filho do asfalto, sempre tem uma família, uma comunidade. Precisamos reintegrar o menor e prepará-lo para o mundo”.
A unidade móvel digital, apresentada durante a 52ª Feira da Providência, foi idealizada a partir de uma pesquisa promovida pela Pastoral do Menor. 
“Percebemos que o cenário da rua mudou e começamos a questionar por onde andavam aqueles jovens que viviam pedindo esmola. Então, descobrimos que eles estavam sendo encaminhados para as cracolândias.Como a gente poderia enfrentar isso? A resposta foi a inclusão digital”, contou Maria Christina.
Durante um ano, o ônibus ficou estacionado na Praça Tiradentes, em caráter de teste, para se adequar à demanda.
“Descobrimos coisas incríveis: meninos que não sabiam ler, nem frequentavam escola, mas sabiam jogar no computador e até conseguiam ‘levantar’R$ 1 para poder ir a uma lan house”, disse a conselheira.
Com a ajuda da Secretaria de Ciência e Tecnologia e um mutirão de patrocinadores, o veículo foi devidamente equipado e envelopado com uma arte cedida por Ziraldo, tendo os seguintes dizeres: “Toda criança tem o direito de ser feliz”. Ainda sem itinerário definido, o veículo está pronto para levar a inclusão digital a cada esquina do Rio.

NOITE FELIZ
A história da Pastoral do Menor começou em dezembro de 1984, por iniciativa de Dom Eugenio de Araujo Sales, na época arcebispo do Rio. Ao se deparar com meninos de rua que, na véspera do Natal, não tinham onde passar a noite, o cardeal decidiu tomar uma providência.
“Eram 30 pessoas, entre meninos, meninas e bebês. Então Dom Eugenio procurou um espaço numa escola e os levou para lá. Surpreendentemente, eles não quiseram mais voltar às ruas. Assim começou a Pastoral do Menor. Não através da teoria, mas a partir da prática”, contou Maria Christina, que repete como um mantra sua missão: “Promover e defender a vida das crianças e adolescentes em situação de risco, desrespeitados em seus direitos fundamentais”.
Hoje, a Pastoral do Menor atua em diversas frentes. Entre elas, destacam-se os pólos de inclusão digital, o Centro Esportivo Armindo Soares, que atende 1.200 crianças em três comunidades; o projeto Pleitear, que favorece o aumento da escolaridade e a formação profissional; e o projeto de Apoio Familiar, que promove o fortalecimento de vínculos comunitários.
Recentemente, a Pastoral também foi convidada para assessorar a Fundação para Infância e Adolescência (FIA). Desde então, já foram capacitadas 2.170 pessoas direta e indiretamente ligadas à fundação.

TEXTO: PEDRO ZUAZO
FOTO: GUSTAVO DE OLIVEIRA