quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Modelo de vida cristã


– “Você sabe quem é Odeti­nha?”
– “É uma criança que era muito boa, que fazia o bem às pessoas, que morreu e poderá ser canoni­zada pela Igreja”, responde Maria Luiza, de 11 anos, que acompanha­va a família na missa de encerra­mento dos festejos de São Sebas­tião, na Catedral Metropolitana do Rio, no domingo, dia 20 de janei­ro. A simplicidade e a inocência da resposta de Maria Luiza, caracte­rísticas tão próprias das crianças, emolduravam o cenário de festa em torno da abertura do processo de beatificação de Odette Vidal de Oliveira, a Odetinha, que poderá ser a primeira santa carioca.
Por coincidência (ou providên­cia), a Catedral estava repleta de crianças que, mesmo sem enten­der direito o que se passava, cele­bravam a passagem das relíquias de Odetinha e refletiam ainda mais as virtudes tão aclamadas pelo povo da nova Serva de Deus.
Entre os dias 18 e 20 de janeiro, a urna com os restos mortais de Odetinha ficaram expostos na Igreja de Nossa Senhora da Glória, no bairro Laranjeiras. No domingo, dia 20, pela manhã, a urna foi le­vada para a Igreja de São Sebastião, na Tijuca. À tarde, ela percorreu as ruas do Rio de Janeiro com o seu “padrinho” São Sebastião, em direção à Catedral, na tradicional procissão do padroeiro da arqui­diocese e da cidade do Rio.
Na Catedral, ao final da cele­bração solene do padroeiro, foi lida a ata de reconhecimento das relíquias, assinada pelos mem­bros do Tribunal Eclesiástico. Em seguida, a urna foi lacrada e transladada para a Basílica da Imaculada Conceição, em Bo­tafogo, onde permanecerá para visitação até o final do processo de beatificação. “Serão desses restos mortais que futuramente serão produzidas as relíquias que ornamentarão os altares das igrejas”, afirmou Ronaldo Frigini, membro da equipe de trabalho do processo de beatificação.
Na Basílica, uma multidão aguardava a chegada de Odeti­nha. O arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, ressaltou a escolha da Igreja para guardar temporariamente as relíquias, lugar frequentado por muito tempo pela criança e onde ela fez sua Primeira Eucaristia.
“Que aqui seja um sinal para toda a Igreja, para a cidade do Rio e aos que vierem aqui rezar, pedir graças e também se colocar diante de Deus pedindo para que, cada vez mais, vivamos com alegria a nossa vida cristã. Que através dela, muitas bençãos venham também sobre todos os jovens que estarão aqui na Jornada Mundial da Juventude, e também para que as nossas crian­ças sejam educadas na fé, tenham famílias cristãs nesse mundo em transformação. Que aqui seja um local de visitação e oração, para que Odetinha nos ajude a trilhar um caminho de santidade”.
O cônego Marcos Willian Bernardo, pároco da Basílica, ressaltou a importância do mo­mento para a paróquia e do reconhecimento das virtudes de Odetinha pela população. “Pedi­mos a intercessão daquela que é considerada Serva de Deus. Ela sempre terá o reconhecimento do povo que indicou a existência de suas virtudes e a condição de possível santidade”.

ROCÉLIA SANTOS 
FOTO: CARLOS MOIOLI