segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Presente de Natal assinado pelo Papa



“O Papa Bento XVI anuncia e proclama Jesus Cristo. O livro é uma ótima sugestão para a leitura e reflexão nesse tempo do Advento”. Assim o arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, apresentou o livro “A infância de Jesus”, o último volume da trilogia assinada pelo Papa Bento XVI. A Arquidiocese do Rio foi a primeira do Brasil a promover o lançamento da obra, no dia 6 de dezembro, no Edifício João Paulo II, na Glória.
O evento foi a primeira atividade da Cátedra Joseph Ratzinger, criada no dia 9 de novembro, durante o 2º Simpósio sobre o Pensamento de Joseph Ratzinger, realizado na PUC-Rio.
“O texto do Papa nos ajuda a entrar no mistério da encarnação. Nós estamos lançando para o Brasil este livro, pedindo a Deus que ilumine a vida das pessoas e o nosso país”, pontuou Dom Orani.
Para o jornalista Luiz Paulo Horta, que também é membro da Academia Brasileira de Letras, o livro é “poético. Formidável. Um maravilhoso presente de Natal”.
O acadêmico afirmou que “Bento XVI escreve com uma simplicidade tão grande, com tantos componentes poéticos, que parece que você está ouvindo uma história”. Traçando um paralelo com os volumes anteriores, disse: “O primeiro se referia à pregação de Jesus. O segundo é muito profundo: trata da paixão, morte e ressurreição. Agora vem esse terceiro, que o Papa diz ser o prólogo. Ele volta ao começo, fazendo uma ordem curiosa, mas com um desfecho maravilhoso”.
Além do arcebispo e do acadêmico, participaram da apresentação os professores de teologia da PUC-Rio padres Leonardo Agostini e Mário França de Miranda e Maria Clara Bingemer.
Lançado às vésperas do tempo litúrgico do Advento, no último dia 20 de novembro, no Vaticano, o livro mescla a perspectiva histórica com estudos teológicos para abordar o nascimento de Jesus Cristo. De acordo com o padre Agostini, a dinâmica que Ratzinger quer imprimir ao livro é sintetizada no título do primeiro capítulo, que traz a pergunta: “De onde és Tu?”. 
“A pergunta pela origem de Jesus, feita por Pilatos, é racional, mas é, ao mesmo tempo, a indagação mais acentuada de uma pessoa que se vê confrontada com Jesus de Nazaré, pois deseja conhecer a respeito do seu ser e da sua missão. É a pergunta que continua inquietando a história da humanidade desde o nascimento de Jesus. A pergunta pelo ‘De onde és Tu?’ tem a ver com a profunda questão existencial do ser humano: ‘Quem sou eu?’”, explicou.
Ao longo da obra, Bento XVI passeia por passagens bíblicas, explicando que os relatos evangélicos abordam acontecimentos históricos, que foram “teologicamente interpretados pela comunidade judaico-cristã”. Para padre Agostini, o Papa aplica na obra o princípio de que “a Bíblia se explica com a Bíblia”.
“Não se percebe uma metodologia exegética específica aplicada aos textos, mas se verifica uma clara opção metodológica: apresentar o conteúdo dos textos, deixando que a própria Sagrada Escritura ofereça os elementos necessários para a sua interpretação”, afirmou padre Agostini, acrescentando que o Sumo Pontífice não se limita a citar passagens: “Mais do que falar sobre a Bíblia, Bento XVI sabe escutar o que a Bíblia tem a lhe dizer e a dizer para toda a Igreja, Corpo Místico do Verbo Encarnado, Jesus de Nazaré. Com isso, ele oferece ao seu interlocutor a possibilidade de ‘visitar’ e ‘conhecer’ numerosos textos do Antigo e do Novo Testamento”.
Já Luiz Paulo Horta, aponta como grande trunfo de Joseph Raztinger a capacidade de apresentar um livro de “leitura agradabilíssima”, sem perder o rigor científico e teológico.
“Ele mostra que o nascimento de Jesus não é um mito, é algo muito bem ancorado na realidade. O Papa faz um paralelo muito bonito entre as cenas da infância e o “Sermão da Montanha”. O Cristo pobre, na simplicidade do presépio, é aquele que depois vai dizer: ‘bem-aventurados os pobres’ ”, disse Luiz Paulo Horta.
O acadêmico falou ainda sobre a tentativa de se criar polêmica em relação ao trecho do livro que fala da ausência de animais em torno da manjedoura onde nasceu Jesus.
“Os jornais deram muito destaque por ele ter falado da ausência de bois e burros no presépio. O Papa realmente mostra que isso não está nos textos e apresenta como um elemento mais teológico do que científico”, esclareceu o acadêmico, rechaçando a possibilidade de que a obra cause qualquer impacto nas tradições natalinas.
Lançado simultaneamente em 50 países, o livro “A infância de Jesus” teve uma tiragem inicial de um milhão de exemplares. Nos próximos meses, a obra será traduzida em 20 línguas e publicada em 72 países. No Brasil, o livro chega pela editora Planeta, com o preço médio de R$ 25.

TEXTO: PEDRO ZUAZO
FOTO: GUSTAVO DE OLIVEIRA